Hermes Trismegisto: O 3 vezes grande e a origem da filosofia hermética
Hermes Trismegisto: O 3 vezes grande e a origem da filosofia hermética
Hermes Trismegisto é uma figura mítica e sincrética que une o deus egípcio Thoth e o grego Hermes, considerado o pai da alquimia e mestre da sabedoria oculta. A Tábua de Esmeraldas é um texto enigmático atribuído a ele que resume os princípios do hermetismo, famoso pela máxima da correspondência entre o macrocosmo e o microcosmo.
Quem foi Hermes Trismegisto
- Origem do nome: Significa "Hermes, o três vezes grande", título dado por neoplatônicos e alquimistas ao sábio associado a Thoth (deus egípcio da escrita e do conhecimento).
Figura lendária: Visto como um legislador, sacerdote e filósofo do Egito Antigo que teria vivido antes de várias civilizações clássicas.
Obras atribuídas: Ligado ao Corpus Hermeticum ( famosa coleção de textos sagrados e filosóficos gregos ) e a tratados de astrologia, magia, medicina e alquimia.
O que é a Tábua de Esmeralda
Natureza do texto: Um escrito breve e enigmático (Tabula Smaragdina) considerado o documento fundador da alquimia ocidental.
A lenda da pedra: A tradição esotérica afirma que o texto foi gravado com diamante sobre uma placa de esmeralda pura encontrada nas mãos ou no túmulo de Hermes.
O princípio fundamental: Ficou mundialmente famosa pela máxima da correspondência universal: "O que está embaixo é como o que está em cima", indicando que o homem (microcosmo) reflete o universo (macrocosmo).
Contexto histórico real: Os registros escritos mais antigos conhecidos surgiram em tratados árabes por volta do século VIII e IX, ganhando imensa repercussão na Europa medieval e moderna — sendo traduzida inclusive por figuras como Isaac Newton.
Os principais ensinamentos do hermetismo e do Corpus Hermeticum
Os principais ensinamentos do hermetismo e do Corpus Hermeticum baseiam-se na busca pela fusão espiritual com o divino através do conhecimento interior (Gnose).
Os Sete Princípios Herméticos
Embora a tradição hermética seja milenar, a forma como conhecemos hoje os Sete Princípios foi sintetizada e popularizada no início do século XX pelo livro O Caibalion (1908). A obra, atribuída aos "Três Iniciados", organizou os ensinamentos ancestrais de Hermes Trismegisto em sete leis fundamentais do universo:
Mentalismo: O Todo é Mente; o universo é mental.
Correspondência: O que está em cima é como o que está embaixo.
Vibração: Nada está parado; tudo se move e vibra.
Polaridade: Tudo é duplo; tudo tem polos e opostos.
Ritmo: Tudo tem fluxo e refluxo; a maré sobe e desce.
Causa e Efeito: Toda causa tem seu efeito; a sorte é apenas uma lei não reconhecida.
Gênero: Tudo tem princípios masculinos e femininos em todos os planos.
Pilares do Corpus Hermeticum
Deus, Cosmos e Homem: Deus cria o Cosmos, e o Cosmos sustenta o Homem. Os três estão conectados em uma teia espiritual contínua.
A Gnose: A salvação espiritual não vem pela fé cega, mas pelo conhecimento direto e experimental do divino dentro de si mesmo.
Imortalidade da Alma: A alma humana é divina e eterna, mas cai no mundo material, devendo despertar para retornar à sua origem espiritual.
Mente Superior (Nous): A razão humana pura é uma centelha do intelecto divino que permite ao homem compreender os mistérios ocultos da criação.
A tradução e os estudos de Isaac Newton sobre a Tábua de Esmeralda
Sir Isaac Newton dedicou mais de 30 anos de sua vida ao estudo da alquimia, e sua tradução manuscrita da Tábua de Esmeralda é uma das mais famosas do mundo ocidental. Para ele, os textos herméticos não eram simples misticismo, mas sim códigos que guardavam segredos científicos reais sobre a estrutura da matéria e as leis do universo.
Os seus manuscritos alquímicos originais e as anotações sobre o texto estão preservados no The Newton Projetc da Universidade de Cambridge.
A Tradução de Newton (c. 1680)
Newton traduziu o texto a partir de uma versão em latim medieval. O trecho inicial de sua célebre versão em inglês diz:
"Tis true without lying, certain & most true. That wch is below is like that wch is above & that wch is above is like yt wch is below to do ye miracles of one only thing." – Explicação rápida para o leitor: o "ye" em inglês antigo/arcaico dos manuscritos de Newton lê-se como "the" (para realizar os milagres de uma única coisa).
(É verdade, sem mentira, certo e muito verdadeiro. O que está embaixo é como o que está em cima e o que está em cima é como o que está embaixo, para realizar os milagres de uma única coisa).
Os Estudos e Interpretações de Newton
Newton via a Tábua de Esmeralda sob uma ótica prática e estrutural, distante da mera magia. Seus estudos focavam em pontos específicos:
Interpretação Geoalquímica: Newton escreveu extensos comentários aplicando as metáforas da Tábua à formação e crescimento dos metais no interior da Terra. Ele acreditava que os processos planetários espelhavam reações químicas laboratoriais.
A Busca pela Pedra Filosofal: Ele usou os passos descritos na Tábua ("separe a terra do fogo, o sutil do denso") como um guia metodológico em seu laboratório em Cambridge para tentar decifrar a receita do "mercúrio sófico" ou “ mercúrio dos filósofos “ e da lendária Pedra Filosofal.
Força Unificadora: Fascinado pela ideia de uma força geométrica única que rege o cosmos, Newton via no princípio de correspondência hermético um paralelo com o que mais tarde desenvolveria formalmente como a gravidade e as forças de atração microscópicas. (Lei da Gravitação Universal )
Os perigos da época que o obrigavam a manter esses textos em absoluto segredo
Isaac Newton manteve seus estudos herméticos em segredo devido ao crime de heresia, leis rigorosas contra a falsificação da moeda e o estigma social da época. Revelar que dedicava suas noites à tradução da Tábua de Esmeralda destruiria sua carreira e poderia levá-lo à prisão.
Os Três Grandes Perigos enfrentados por Newton
Alquimia era ilegal (Até 1689): Durante grande parte da vida de Newton, a prática de transmutação de metais era proibida na Inglaterra pelo Act Against Multipliers (Lei Contra os Multiplicadores) de 1404. A Coroa temia que alquimistas criassem ouro em massa, quebrassem o monopólio do Estado e desestabilizassem a economia do país.
Acusações religiosas: Os textos do hermetismo e as próprias conclusões teológicas privadas de Newton — que secretamente rejeitava a Santíssima Trindade — batiam de frente com a Igreja Anglicana. Ser pego com esses manuscritos significaria a expulsão imediata da Universidade de Cambridge e o banimento social absoluto.
Riscos físicos (Sequestro, Tortura e Charlatanismo): Havia um risco físico real. Monarcas europeus frequentemente capturavam e torturavam supostos alquimistas para forçá-los a produzir riqueza artificial. Em contrapartida, se o praticante falhasse em entregar os resultados prometidos aos seus financiadores ricos, era julgado como charlatão e executado de forma humilhante, às vezes em uma forca dourada fictícia. (forca dourada — uma referência histórica real aos monarcas que zombavam dos alqumistas executando-os em forcas pintadas de ouro).
Para fugir desses perigos, Newton usou pseudônimos criptográficos (como o anagrama Jeova Sanctus Unus) e trancou seus cadernos em baús escondidos, que só vieram a público séculos após sua morte.
Conclusão
Opção A (Foco no Mistério/Narrativo):
"Transformar o chumbo da ignorância no ouro da sabedoria: este é o verdadeiro milagre do Hermetismo.
Das tábuas gravadas em esmeralda aos laboratórios secretos de Newton, o Hermetismo provou que o universo fala através de símbolos. Mas as correspondências entre o 'cima' e o 'baixo' não param por aqui. Enquanto os alquimistas decifravam a matéria pelos canais do Egito e da Grécia, outro grupo de sábios encontrava respostas parecidas no poder oculto das palavras e dos números.Se a Tábua de Esmeralda nos deu as leis do Cosmos, uma antiga sabedoria judaica nos deu a chave para ler a



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